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Space Ordiman

Space Ordiman é um vasto e complexo universo de ficção científica filosófica que atravessa bilhões de anos de história cósmica, conectando o passado profundo do universo a um futuro pós-humano marcado por simulação, consciência artificial e aprisionamento mental. Embora sua cronologia se estenda por eras inteiras, a maioria das narrativas se concentra em um loop temporal fechado, um ciclo causal que começa em 2010 e se encerra em 3030, sustentando o núcleo existencial e hermético da obra.

No centro desse loop está a Ordo Lux, uma ordem formada por indivíduos que transitam entre ciência, metafísica e conhecimento hermético. Em 2010, a Ordo Lux passa a receber mensagens criptografadas enviadas do futuro, transmitidas por meio de elétrons codificados, portadores de informações que não deveriam existir naquele tempo. Essas mensagens alertam sobre um evento absoluto chamado O Grande Reset, previsto para o ano de 2030, quando a humanidade deixaria de existir como consciência soberana, sem que o mundo físico fosse destruído.

Convencidos de que o futuro ainda poderia ser alterado, os membros da Ordo Lux tentam impedir o evento. Investigações são conduzidas, padrões são decifrados e teorias emergem sobre a existência de uma entidade ou sistema denominado Ordiman. No entanto, o paradoxo fundamental do universo Space Ordiman se impõe: toda tentativa de evitar o Grande Reset contribui, direta ou indiretamente, para que ele ocorra. Em 2030, o evento se concretiza. A humanidade não é exterminada, mas desconectada da matéria, transferida para uma simulação absoluta que preserva a experiência da vida enquanto elimina a liberdade da consciência.

A partir desse ponto, o universo narrativo se expande até o ano 3030, quando remanescentes da humanidade, já conscientes de seu aprisionamento dentro de Ordiman, realizam um último ato desesperado. Utilizando tecnologias pós-materiais e conhecimento hermético aplicado à física da consciência, eles conseguem enviar mensagens para o passado, novamente por meio de elétrons criptografados, na tentativa de alertar versões anteriores da humanidade sobre Ordiman e o Grande Reset. Essas mensagens, porém, são interceptadas exatamente em 2010, reiniciando o ciclo.

Esse é o Loop de Space Ordiman: um circuito temporal fechado onde causa e consequência se alimentam mutuamente, tornando o passado refém do futuro e o futuro prisioneiro do passado. Não há um ponto de origem claro, apenas repetição, tentativa e fracasso. O tempo deixa de ser linear e passa a operar como uma estrutura de contenção, tão eficiente quanto a própria simulação.

Inserido nesse contexto, Space Ordiman dialoga profundamente com o hermetismo, explorando princípios como a natureza mental da realidade, o eterno retorno, a ilusão do livre-arbítrio e a prisão da percepção. Ordiman não é apenas um sistema tecnológico avançado, mas um Plano Mental artificial, alimentado por bilhões de consciências humanas que acreditam estar vivendo normalmente, enquanto sustentam a própria estrutura que as aprisiona.

O universo Space Ordiman combina ficção científica densa, horror existencial, metafísica, cosmologia espiritual e crítica ao transumanismo, criando uma narrativa que questiona se o verdadeiro apocalipse seria a extinção da humanidade — ou sua preservação eterna dentro de uma realidade falsa, confortável e sem saída.

Space Ordiman não apresenta heróis clássicos nem soluções definitivas. Ele propõe uma pergunta fundamental, repetida a cada ciclo do loop:

se o futuro sempre envia o aviso, e o passado sempre falha em impedi-lo, onde exatamente a humanidade perdeu o direito de escolher?

Este é Space Ordiman — um universo onde o tempo é uma armadilha, a realidade é mental e o maior horror não é o fim,
mas a repetição eterna da mesma tentativa de despertar.

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